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Viveiro de Teresópolis garante mais um pioneirismo no plantio de lúpulo no Brasil

Viveiro de Teresópolis garante mais um pioneirismo no plantio de lúpulo no Brasil

Viveiro Ninkasi vai plantar e comercializar mudas com certificação de origem.

O Viveiro Ninkasi, localizado em Teresópolis e primeiro viveiro reconhecido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) para produção de mudas de lúpulo no Brasil, garantiu mais uma vez seu pioneirismo no setor ao conquistar, no final de 2020, autorização para importação de mudas de lúpulo “in vitro” dos Estados Unidos da América (EUA) para comercialização com certificado de origem. 

Para quem não é dos setores de agricultura e cervejeiro e não sabe a importância desta conquista, vale ressaltar que hoje as mudas de lúpulo comercializadas no Brasil são sem origem comprovada.

“As mudas importadas in vitro, até então, independente do país de origem, só podiam ser destinadas para pesquisas. A não ser que fosse gerado um híbrido como resultado específico de uma pesquisa de melhoramento genético. Aí sim este podia ser comercializado.  A partir de agora, quando o produtor plantar um lúpulo Cascade, por exemplo, ele terá certeza de que realmente é um Cascade e terá um documento comprovando isso para sua comercialização. Isso vai garantir segurança aos produtores de lúpulo do país e agregar ainda mais valor à cultura”, explica Teresa Yoshiko, proprietária do Viveiro Ninkasi. 

De acordo com Teresa Yoshiko, as primeiras mudas “in vitro” chegam ao Brasil no início de fevereiro, onde serão transformadas em matrizes. “Para este plantio, foram feitas algumas adaptações no viveiro,  tudo isso com acompanhamento técnico para que tenhamos um padrão e assim, garantir a qualidade e segurança das mudas.  Estamos realmente muito felizes com mais esta conquista da importação “in vitro” e tenho certeza que será mais um grande salto de qualidade na produção do lúpulo nacional”, ressalta. 

A liberação para importação de mudas “in vitro” para comercialização foi publicada pelo MAPA no dia 18 de junho de 2020. A Instrução Normativa SDA/MAPA nº 33 estabelece os requisitos fitossanitários para a importação de mudas in vitro (Categoria 4, Classe 1) de lúpulo (Humulus lupulus) produzidas nos EUA. Esta liberação foi muito bem recebida pelos produtores de lúpulo da região serrana do Rio de Janeiro, onde desde 2016 tem se verificado a produção, ainda em pequena escala, de diversas novas variedades de lúpulo. Os agricultores apostam na perspectiva do mercado diferenciado e promissor das cervejas artesanais, que hoje conta com diversas fábricas instaladas em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Guapimirim e Cachoeiras de Macacu. 

Vale ressaltar que a região serrana do Rio de Janeiro vem se destacando na produção das cervejas artesanais no país e também de lúpulo, tendo a lei estadual 7.650/17 instituído Petrópolis como “Capital Estadual da Cerveja”; a lei estadual 7954/18, criado o “Polo Cervejeiro Artesanal de Nova Friburgo”; e o Projeto de Lei n. 610/2019 da Câmara Federal designado Teresópolis como a “Capital Nacional do Lúpulo”.  

Além disso, a região é pioneira no país com sua Rota Cervejeira RJ, que desde 2014 estimula o turismo cervejeiro por suas fábricas, brewpubs e produções de lúpulo, sendo hoje referência – para o Ministério do Turismo, governos estaduais e municipais -, na criação de diversas outras rotas cervejeiras pelo Brasil.   

De acordo com dados do MAPA, o Brasil possui hoje 152 produtores de lúpulo; 75 mil plantas com perspectiva de dobrar esse número este ano.  Hoje, além do estado do Rio de Janeiro (com cerca de 20 mil mudas), o plantio é feito também em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. 

Com relação à produção de cervejas, o Brasil possui produção anual de aproximadamente 14 bilhões de litros, e se destaca como o terceiro maior produtor da bebida no mundo, sendo o lúpulo um dos seus ingredientes básicos e mais caros utilizado nessa produção. Hoje são importadas cerca de 4 mil toneladas de lúpulo por ano, totalizando um custo de 200 milhões de reais.

Sobre o Viveiro Ninkasi

Hoje o Viveiro Ninkasi possui mais de 30 cultivares diferentes de lúpulo, já adaptadas ao clima brasileiro e prontas para o plantio. Todas as mudas são de alta qualidade, certificadas e registradas no MAPA.

 A autorização para importação “in vitro” das mudas dos EUA para produção e comercialização no país é mais uma conquista para os setores agrícola e cervejeiro, ambos em plena expansão. 

A tecnologia utilizada no viveiro é inédita no mundo e todo o investimento é feito para garantir o compromisso com altos padrões de qualidade, criando uma rede, com a preocupação de fazer com que a cultura do lúpulo seja produtiva, reconhecida e respeitada nacionalmente. Para garantir um manejo próprio para essas plantas, o viveiro disponibiliza um trabalho de consultoria que passa desde o plantio até a colheita e beneficiamento dos cones. 

O viveiro também faz parte da Rede de Fomento à cultura na Região Serrana Fluminense (Rede Lúpulo Serra RJ – www.redelupulo.com.br), criada em 2018, e que envolve pesquisadores da Embrapa (Agrobiologia, Agroindústria de Alimentos e Solos), da Pesagro-Rio, professores da UFRRJ, extensionistas da Emater-Rio, produtores de lúpulo e de cerveja artesanal, Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Nova Friburgo (ACIANF), Rota Cervejeira RJ, Beer Aliance Nova Friburgo e Região, além de representantes do MAPA, Sebrae e Banco do Brasil .

Mais informações sobre o Viveiro Ninkasi e seu trabalho na produção, comercialização e consultoria sobre o plantio de lúpulo no Brasil podem ser obtidas no site www.lupulosninkasi.com  . 

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